Imprimir Resumo


Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa
Resumo

Poster


CONSTRUÇÕES COMPLETIVAS COMO MARCADORES DE ESPAÇOS MENTAIS EM PORTUGUÊS: PROPRIEDADES DEFINIDORAS

Autores:
Gisele Cássia de Sousa (UNESP - Universidade Estadual Paulista)

Resumo:

O objetivo deste trabalho é analisar as construções completivas do português como construtores de espaços mentais epistêmicos (avaliativos e modais), buscando definir as propriedades morfossintáticas que elas exibem ao desempenharem essa função nas interações verbais. A abordagem teórica empregada é a da Linguística Cognitiva, especificamente, a teoria dos Espaços Mentais, desenvolvida principalmente em Fauconnier (1994, 1997), de acordo com a qual os espaços mentais se definem como domínios conceituais temporários resultantes de fracionamentos de significados que ocorrem durante o fluxo da interação verbal. A base geral para a construção dos espaços mentais é a interação efetiva em andamento, ou seja, o espaço do aqui-agora da conceitualização e da interação. Domínios alternativos a esse espaço base podem, entretanto, ser evocados, por meio do que se denominam “construtores de espaços mentais”, unidades linguísticas que sinalizam a construção de um novo espaço mental ou o retorno da atenção a espaços mentais previamente construídos. Esses construtores exigem, assim, que o ouvinte ative um espaço conceitual diferente do “aqui e agora”, a partir da instauração de cenários que refletem realidades passadas ou situadas em outras localidades, que fazem referência ao futuro, a situações hipotéticas, a ideias e crenças de alguém, etc. Em consonância a essa concepção e abordagem teóricas, os dados de construção completiva analisados pertencem a interações verbais efetivas, extraídos de bancos de dados de fala previamente construídos. Os resultados obtidos até o momento têm revelado que as propriedades definidoras das construções analisadas como construtores de espaços mentais epistêmicos são categorias morfossintáticas indicativas de forte relação entre o conceptualizador e a base (LANGACKER, 2003), tais como o presente do indicativo e a primeira pessoa verbal, além de um grau avançado de construcionalização da oração matriz, evidenciado por sua baixa composicionalidade, alta esquematicidade (TRAUGOTT; TROUSDALE, 2013) e apagamento de alguns de seus elementos constituintes.