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Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa
Resumo


A CONCORDÂNCIA NOMINAL DE NÚMERO E GÊNERO EM REDAÇÕES PRODUZIDAS EM PORTUGUÊS POR ESTUDANTES GUINEENSES E TIMORENSES: ESTUDO CONTRASTIVO À LUZ DA SOCIOLINGUÍSTICA VARIACIONISTA

Autores:
Thayse Carolina Ferreira Paraiso (UFPE - UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO)

Resumo:

Esta pesquisa investiga o uso da concordância nominal de número e de gênero em redações produzidas em português por estudantes guineenses e timorenses no âmbito do exame vestibular da Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Brasileira (UNILAB), localizada em Redenção-CE. Está embasada pelos seguintes subsídios teóricos: 1) a Sociolinguística, em sua abordagem variacionista (Labov,[1972] 2008); 2) o trabalho precursor desenvolvido por Scherre (1988) no âmbito da concordância de número no sintagma nominal; e 3) os estudos de Lucchesi (2009) no âmbito da concordância de gênero no sintagma nominal do português afro-brasileiro em situações de contato linguístico. O método de abordagem é o indutivo e os métodos de procedimento são o comparativo e o estatístico, com análise quantitativa dos dados e realização de estudo contrastivo entre o Português de Guiné Bissau (PGB) e o Português de Timor-Leste (PTL). O estudo contrastivo deste trabalho examina as variedades não-europeias do português selecionadas utilizando-se os mesmos critérios linguísticos empregados por Scherre (1988) e Lucchesi (2009), numa perspectiva de análise atomística, colocando-as em contraposição. Do mesmo modo, observam-se aspectos extralinguísticos e sua interferência na realização ou não realização da concordância de número e de gênero no sintagma nominal. Resultados parciais mostram que no crioulo guineense e no tétum, línguas maternas dos falantes guineenses e timorenses, respectivamente, embora não se observem marcas explícitas de número em alguns dos elementos no interior do sintagma nominal, mesmo com o contato linguístico e com o multilinguismo, no PGB e no PTL a concordância é semicategórica. Em relação à concordância de gênero, percebe-se que a ausência de concordância é mais frequente nos dados do PTL, o que demonstra tratar-se de uma regra variável.